domingo, 21 de junho de 2009

Amor de longo alcance (Marina Colasanti)



"Durante anos separados pelo destino, amaram-se à distância. Sem que um soubese o paradeiro do outro, procuravam-se através dos continentes, cruzavam pontes e oceanos, vasculhavam vilas, indagavam.
Bússula da longa busca, levav
am a lembrança de um rosto sempre mutante, em que o desejo, incessante, redesenhava os traços apagados pelo tempo.
Já quase nada havia em comum entre aqueles rostos e a realidade, quando enfim, numa praça se encontraram. Juntos podiam agora viver a vida com que sempre haviam sonhado.
Porém cedo descobriram que a força do seu passado amor era insuperável. Depois de tantos anos de afastamento, não podiam viver senão separados, apaixonadamente desejando-se. E, entre risos e lágrimas, despediram-se, indo morar em cidades diferentes."



sábado, 20 de junho de 2009

E viveram felizes para sempre?

A parte da história que não foi mostrada nos livros rsrs
"Os contos de fadas ganharam finais nada felizes através das lentes da fotógrafa Dina Goldistein. A ideia da fotógrafa veio para acabar com a ilusão das meninas quando crescerem.
Dina Goldistein fez as fotos inspirada na sua juventude, quando descobriu as histórias originais e seu lado nada cor-de-rosa.



_Meu Mundo caiu..."A Cinderela de tanto esperar o príncipe encantado acaba, na verdade, bebendo sozinha num bar"

"Branca de neve se casou, mas acabou cheia de filhos, cachorro e um príncipe imprestável na frente da tv."

"Chapeuzinho Vermelho, de tanto comer as delícias que seriam para sua avó, acabou engordando."

"A Bela Adormecida não acordou nunca e o mundo mudou bastante à sua volta..."

"...inclusive seu rosto, que acabou precisando de plástica."

"Rapunzel acabou sofrendo com um câncer e precisou raspar as longas madeixas."



"Jasmine, a musa de Alladdin, não pode mais dançar em seu país e precisa enfrentar outra invasão inimiga."

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Terremoto furacão


Vale a pena ler ^^






Quando João olhou pra Maria
e a Maria olhou pro João,
aconteceu uma coisa esquisita:
O dia virando noite,
a noite virando dia,
açúcar virando sal,
Terremoto furacão
Só que o João não sabia
e a Maria também não
que coisa esquisita era essa:
o mundo parando inteiro
e a terra com cheiro
de lua e de sol.
João ofereceu o que tinha:
figurinha, prego,
pedaço de espelho,

Conta de menos e de mais:

1+1=3 3-2=5 2+3=5
Misturando as coisas todas,
como se dentro dele
tivesse nascido um rio,
tivesse nascido um livro,
tivesse nascido um poço.

Que coisa esquisita era essa,

que dava medo,que dava frio,
o susto virando coragem,

segunda feira virando domingo?

A Maria também queria
oferecer o mundo todo.

Então catava no bolso

fio de linha,
miolo de pão,

medo do escuro,
pedaço de flor.

E ia lembrando devagarinho

de tudo que é poesia(...)

Sem saber que poesia

era o desejo de ir
pela vida
levando João pela mão.
Nesse tempo que eles se olhavam
-era um tempo grande e pequeno-
tanta coisa aconteceu,
os dois entenderam tudo:
Que amor é assim,
feito doce na boca

feito chuva no rosto,

o coração derretido.

Então combinaram tanta viagem,
quando um dia eles fossem grandes,
atravessando florestas,
andando de barulho de trem,
caçando ilha, caçando nuvem,
tesouros no fundo do mar.
Combinaram de pisar no mundo
de um jeito bem delicado,
como se tocassem
flores
ou asas de um pássaro.
E desinventar o que existe de ruim
na face do planeta,
eles juraram um segredo.
E também de se gostar desse jeito,
pra sempre, eternamente,
até quando fossem velhinhos,

os netos enchendo a casa,

com o sino das risadas.

E depois de tanta ousadia
João e Maria saíram correndo.
(Roseana Murray)


sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Soldadinho de Chumbo




Numa loja de brinquedos havia uma caixa de papelão com vinte e cinco soldadinhos de chumbo, todos iguaizinhos, pois haviam sido feitos com o mesmo molde. Apenas um deles era perneta: como fora o último a ser fundido, faltou chumbo para completar a outra perna. Mas o soldadinho perneta logo aprendeu a ficar em pé sobre a única perna e não fazia feio ao lado dos irmãos.
Esses soldadinhos de chumbo eram muito bonitos e elegantes, cada qual com seu fuzil ao ombro, a túnica escarlate, calça azul e uma bela pluma no chapéu. Além disso, tinham feições de soldados corajosos e cumpridores do dever. Os valorosos soldadinhos de chumbo aguardavam o momento em que passariam a pertencer a algum menino. Chegou o dia em que a caixa foi dada de presente de aniversário a um garoto. Foi o presente de que ele mais gostou: — Que lindos soldadinhos! — exclamou maravilhado. E os colocou enfileirados sobre a mesa, ao lado dos outros brinquedos. O soldadinho de uma perna só era o último da fileira. Ao lado do pelotão de chumbo se erguia um lindo castelo de papelão, um bosque de árvores verdinhas e, em frente, havia um pequeno lago feito de um pedaço de espelho. A maior beleza, porém, era uma jovem que estava em pé na porta do castelo. Ela também era de papel, mas vestia uma saia de tule bem franzida e uma blusa bem justa. Seu lindo rostinho era emoldurado por longos cabelos negros, presos por uma tiara enfeitada com uma pequenina pedra azul. A atraente jovem era uma bailarina, por isso mantinha os braços erguidos em arco sobre a cabeça. Com uma das pernas dobrada para trás, tão dobrada, mas tão dobrada, que acabava escondida pela saia de tule. O soldadinho a olhou longamente e logo se apaixonou, e pensando que, tal como ele, aquela jovem tão linda tivesse uma perna só. “Mas é claro que ela não vai me querer para marido”, pensou entristecido o soldadinho, suspirando. “Tão elegante, tão bonita… Deve ser uma princesa. E eu? Nem cabo sou, vivo numa caixa de papelão, junto com meus vinte e quatro irmãos”. À noite, antes de deitar, o menino guardou os soldadinhos na caixa, mas não percebeu que aquele de uma perna só caíra atrás de uma grande cigarreira. Quando os ponteiros do relógio marcaram meia-noite, todos os brinquedos se animaram e começaram a aprontar mil e uma. Uma enorme bagunça! As bonecas organizaram um baile, enquanto o giz da lousa desenhava bonequinhos nas paredes. Os soldadinhos de chumbo, fechados na caixa, golpeavam a tampa para sair e participar da festa, mas continuavam prisioneiros. Mas o soldadinho de uma perna só e a bailarina não saíram do lugar em que haviam sido colocados. Ele não conseguia parar de olhar aquela maravilhosa criatura. Queria ao menos tentar conhecê-la, para ficarem amigos. De repente, se ergueu da cigarreira um homenzinho muito mal-encarado. Era um gênio ruim, que só vivia pensando em maldades. Assim que ele apareceu, todos os brinquedos pararam amedrontados, pois já sabiam de quem se tratava. O geniozinho olhou a sua volta e viu o soldadinho, deitado atrás da cigarreira. — Ei, você aí, por que não está na caixa, com seus irmãos? — gritou o monstrinho. Fingindo não escutar, o soldadinho continuou imóvel, sem desviar os olhos da bailarina. — Amanhã vou dar um jeito em você, você vai ver! - gritou o geniozinho enfezado. Depois disso, pulou de cabeça na cigarreira, levantando uma nuvem que fez todos espirrarem. Na manhã seguinte, o menino tirou os soldadinhos de chumbo da caixa, recolheu aquele de uma perna só, que estava caído atrás da cigarreira, e os arrumou perto da janela. O soldadinho de uma perna só, como de costume, era o último da fila. De repente, a janela se abriu, batendo fortemente as venezianas. Teria sido o vento, ou o geniozinho maldoso? E o pobre soldadinho caiu de cabeça na rua. O menino viu quando o brinquedo caiu pela janela e foi correndo procurá-lo na rua. Mas não o encontrou. Logo se consolou: afinal, tinha ainda os outros soldadinhos, e todos com duas pernas. Para piorar a situação, caiu um verdadeiro temporal. Quando a tempestade foi cessando, e o céu limpou um pouco, chegaram dois moleques. Eles se divertiam, pisando com os pés descalços nas poças de água. Um deles viu o soldadinho de chumbo e exclamou: — Olhe! Um soldadinho! Será que alguém jogou fora porque ele está quebrado? — É, está um pouco amassado. Deve ter vindo com a enxurrada. — Não, ele está só um pouco sujo. — O que nós vamos fazer com um soldadinho só? Precisaríamos pelo menos meia dúzia, para organizar uma batalha. — Sabe de uma coisa? — Disse o primeiro garoto. —Vamos colocá-lo num barco e mandá-lo dar a volta ao mundo. E assim foi. Construíram um barquinho com uma folha de jornal, colocaram o soldadinho dentro dele e soltaram o barco para navegar na água que corria pela sarjeta. Apoiado em sua única perna, com o fuzil ao ombro, o soldadinho de chumbo procurava manter o equilíbrio. O barquinho dava saltos e esbarrões na água lamacenta, acompanhado pelos olhares dos dois moleques que, entusiasmados com a nova brincadeira, corriam pela calçada ao lado. Lá pelas tantas, o barquinho foi jogado para dentro de um bueiro e continuou seu caminho, agora subterrâneo, em uma imensa escuridão. Com o coração batendo fortemente, o soldadinho voltava todos seus pensamentos para a bailarina, que talvez nunca mais pudesse ver. De repente, viu chegar em sua direção um enorme rato de esgoto, olhos fosforescente e um horrível rabo fino e comprido, que foi logo perguntando: — Você tem autorização para navegar? Então? Ande, mostre-a logo, sem discutir. O soldadinho não respondeu, e o barquinho continuou seu incerto caminho, arrastado pela correnteza. Os gritos do rato do esgoto exigindo a autorização foram ficando cada vez mais distantes. Enfim, o soldadinho viu ao longe uma luz, e respirou aliviado; aquela viagem no escuro não o agradava nem um pouco. Mal sabia ele que, infelizmente, seus problemas não haviam acabado. A água do esgoto chegara a um rio, com um grande salto; rapidamente, as águas agitadas viraram o frágil barquinho de papel. O barquinho virou, e o soldadinho de chumbo afundou. Mal tinha chegado ao fundo, apareceu um enorme peixe que, abrindo a boca, engoliu-o. O soldadinho se viu novamente numa imensa escuridão, espremido no estômago do peixe. E não deixava de pensar em sua amada: “O que estará fazendo agora sua linda bailarina? Será que ainda se lembra de mim?”. E, se não fosse tão destemido, teria chorado lágrimas de chumbo, pois seu coração sofria de paixão. Passou-se muito tempo — quem poderia dizer quanto? E, de repente, a escuridão desapareceu e ele ouviu quando falavam: — Olhe! O soldadinho de chumbo que caiu da janela! Sabem o que aconteceu? O peixe havia sido fisgado por um pescador, levado ao mercado e vendido a uma cozinheira. E, por cúmulo da coincidência, não era qualquer cozinheira, mas sim a que trabalhava na casa do menino que ganhara o soldadinho no aniversário. Ao limpar o peixe, a cozinheira encontrara dentro dele o soldadinho, do qual se lembrava muito bem, por causa daquela única perna. Levou-o para o garotinho, que fez a maior festa ao revê-lo. Lavou-o com água e sabão, para tirar o fedor de peixe, e endireitou a ponta do fuzil, que amassara um pouco durante aquela aventura. Limpinho e lustroso, o soldadinho foi colocado sobre a mesma mesa em que estava antes de voar pela janela. Nada estava mudado. O castelo de papel, o pequeno bosque de árvores muito verdes, o lago reluzente feito de espelho. E, na porta do castelo, lá estava ela, a bailarina: sobre uma perna só, com os braços erguidos acima da cabeça, mais bela do que nunca. O soldadinho olhou para a bailarina, ainda mais apaixonado, ela olhou para ele, mas não trocaram palavra alguma. Ele desejava conversar, mas não ousava. Sentia-se feliz apenas por estar novamente perto dela e poder amá-la. Se pudesse, ele contaria toda sua aventura; com certeza a linda bailarina iria apreciar sua coragem. Quem sabe, até se casaria com ele… Enquanto o soldadinho pensava em tudo isso, o garotinho brincava tranqüilo com o pião. De repente como foi, como não foi — é caso de se pensar se o geniozinho ruim da cigarreira não metera seu nariz —, o garotinho agarrou o soldadinho de chumbo e atirou-o na lareira, onde o fogo ardia intensamente. O pobre soldadinho viu a luz intensa e sentiu um forte calor. A única perna estava amolecendo e a ponta do fuzil envergava para o lado. As belas cores do uniforme, o vermelho escarlate da túnica e o azul da calça perdiam suas tonalidades. O soldadinho lançou um último olhar para a bailarina, que retribuiu com silêncio e tristeza. Ele sentiu então que seu coração de chumbo começava a derreter — não só pelo calor, mas principalmente pelo amor que ardia nele. Naquele momento, a porta escancarou-se com violência, e uma rajada de vento fez voar a bailarina de papel diretamente para a lareira, bem junto ao soldadinho. Bastou uma labareda e ela desapareceu. O soldadinho também se dissolveu completamente. No dia seguinte. a arrumadeira, ao limpar a lareira, encontrou no meio das cinzas um pequenino coração de chumbo: era tudo que restara do soldadinho, fiel até o último instante ao seu grande amor. Da pequena bailarina de papel só restou a minúscula pedra azul da tiara, que antes brilhava em seus longos cabelos negros.

sábado, 6 de junho de 2009

Pra ver se cola

Outro videozinho q eu fiz. Dessa vez com a música "Pra ver se cola" do trem da alegria ^^ adorava essa música qd era pequena xD

Quem é que nunca passou por isso nas épocas de escola? ^^


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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Quem uma dia irá dizer que existe razão pra coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?"


Segue um videozinho que fiz com a música "Eduardo e Mônica" de Renato Russo.

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Eu penso que não. Não existe razão nas coisas feitas pelo coração.
Como diz o poeta, o "amor e a razão são inimigos eternos".
O amor....o amor é uma criança travessa que vai chegando de mansinho, devagarinho sem agente perceber. Quando percebemos ele ja se isntalou, se mudou com bagagem e tudo pro nosso coração.
E ele vem... não liga pra proibições, não vê statos sociais, nem se importa com opiniões alheias. Como toda criança, ele é audacioso, se arriscas, tem coragem para colher a flor na beira do precipício.
Ele e a razão vivem brigando... pois é sonhador...
Ja a razão, é realista, tem os pés bem firmes no chão, é politicamente correta e segue as convenções sociais.
Mas ambos andam juntos, lado a lado.
Então fica a pergunta....
Quem vc alimenta mais ?