quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um conto de fadas que aconteceu. Parte II

Capítulo II

E o tempo passava... Passava devagar como quem caminha em uma praia deserta, observando os movimentos ritmados das ondas do mar...
A saudade dos dois era imensa, tão grande que mal cabia no peito. Mas à distância e as dificuldades para que pudessem se ver eram muito grandes. Era quase impossível o reencontro... Quase...
Pois em uma bela manhã, as borboletas levaram uma linda mensagem para ela: “estou chegando!”.
Seu coração transbordou de tanta felicidade! Finalmente iria revê-lo.
 Sob o sol da tarde de primavera que seus corações se abraçaram e se beijaram novamente. Um beijo doce, quente, suave, um beijo com sabor de saudades, com gosto de reencontro, com cheiro de carinho.
Foi difícil, mas ele conseguiu vencer os obstáculos e finalmente pode se ver nos olhos dela novamente.
Eles deram as mãos e saíram pela cidade com as faces iluminadas de tanta alegria como um sonho que se tornou realidade.
Foram dias intensos e noites maravilhosas, regadas a carícias, beijos, sorrisos, brincadeiras, desejo, ternura, olhar.
Foram poucos dias, mas para eles parece que foi uma eternidade, pois desfrutavam de cada minuto como se fosse o último.
Você querido leitor, deve estar se perguntando: “serão amigos? Namorados? Amantes?” Não tente entender, rotular ou definir, pois você nunca irá conseguir. É algo mágico que foge das definições dos dicionários e as regras da sociedade.
Sentimento não se explica apenas se sente. É algo bonito que foi construído pouco a pouco, como uma semente que germina no inverno e desabrocha na primavera.
O laço entre os dois foi tão forte, tão intenso, que um dia seus corpos se fundiram em apenas um. Suas almas se tocaram só ouvia a música que emanava de seus corações e eles finalmente se entregaram a este sentimento, este desejo que a muito ficou guardado. Eles nunca haviam se entregado dessa forma, de corpo e alma pra ninguém. Tudo era novo, estranho e bonito.
Ele a olhou nos olhos e disse: “eu gosto de você”. Ela sentiu como se aquelas palavras doces, acariciassem seus cabelos e tocasse seus lábios suavemente... Ela sorriu e disse que sentia o mesmo, seus olhos transmitiam verdade, toda a verdade que guardava em seu coração.
O amor começava a germinar, mostrando suas primeiras faíscas, aquecendo suas vidas que nunca mais seriam as mesmas.
Mas infelizmente todo sonho um dia termina, e eles tiveram que se separar novamente... Ele voltou para seu reino e ela ficou.
Mas desta vez, apesar de longe eles estão mais perto do que nunca. Pois agora ele tem um pouco dela e ela um pouco dele. Agora eles têm certeza que o que eles têm é de verdade e a certeza de que vão se encontrar novamente. E uma promessa: independente do que aconteça, mesmo que algum dia eles não se vejam mais, ou seus caminhos tomem rumos diferentes, eles nunca deixaram de se falar, pois o amor uma vez construído é eterno esteja ele onde estiver.

Continua...

Um conto de fadas que aconteceu. Parte III

Capítulo III

E assim a vida dos dois seguia... Cada um em sua respectiva selva de pedras, com seus trabalhos, estudos e compromissos.
E a saudade apertava a cada dia que passava. Não havia um só dia que ela não pensasse nele, e ele nela. Estavam distantes, mas unidos pelo pensamento.
Tudo corria bem, ele mergulhado em seus estudos e projetos e ela trabalhando em suas pesquisas e buscando um trabalho que lhe dê sustento e prazer, pois as coisas no seu reino andavam muito difíceis.
Eles se falavam quase todos os dias, mandavam mensagens por mensageiros ou se viam pelo espelho encantado.
Mas algo de diferente começou a acontecer...
Eles não se falavam mais como antes, algo estava mudado, ela o sentia distante.
Não sentia seus corações conectados como antes, e isso a entristecia muito, pois sentia que depois de cinco primaveras, estava sentindo o amor brotar sem eu coração, e de uma forma que nunca imaginava que aconteceria novamente...
O que estaria acontecendo?
Ela passava por um momento muito delicado em sua vida, seu coração estava imerso na mais completa escuridão. Sua vida tinha o cheiro e o gosto da saudade. Seu cheiro é doce, assim como as lembranças dele que levava em seus olhos e em seu coração para todos os lugares que ia. Recordava dos momentos felizes que passaram juntos desde o primeiro dia que se viram antes de tudo isso acontecer sentia paz...
Mas ao mesmo tempo tinha um gosto amargo. A ausência do olhar, da sua voz, da sua pele, do seu cheiro, do abraço... Esta falta às vezes chegava a lhe cortar a alma, doía o coração. Ela queria beijá-lo, abraçá-lo, olhar em seus olhos e dizer o quanto o ama, pois algo diz em seu coração que ele não tem idéia do quanto o sentimento dela em relação a ele é grande, e o quanto é importante em sua vida. Mas o abismo entre os dois não permitia. Apenas ele possuía a chave para o reino dela. Mas ela não tinha este privilégio. Triste, ela abre seu diário pessoal e traduz para as páginas brancas o que passa em seu coração:


“Por que dói tanto a espera...
a saudade tem um cheiro doce, mas seu gosto é amargo como fel
Acho que não tem nada pior do que estar longe de quem se ama
A alma esvazia, o coração fica no escuro e meu corpo é tomado por um frio que nem o sol pode aquecer.
À distância, a ausência é perturbadora.
Por mais que eu durma não consigo descansar.
Saudade de quem se ama...
Mas quem eu amo não posso ter ao meu lado, perto de mim
 Nossos corações estão conectado pra sempre em uma conexão mágica que só amor pode construir
E é desse amor e das doces lembranças que sigo minha vida, que me da forças para continuar.
E a suave certeza de que nos reencontraremos um dia, e em fim poderei ouvir de novo o som de sua respiração, e a melodia do seu coração.”
Agora só lhe restava à espera que tanto lhe angustiava. Mas pior que a distância geográfica, era a distancia que ela sentia que seus corações estavam tomando. Estaria certa ou enganada? Seu pressentimento estava certo?
Perguntas que lhe atormentava o sono... Queria acreditar que estava enganada, que era apenas uma cruel impressão.
Mas somente o tempo dará as respostas que espera.

Um conto de fadas que aconteceu. Final

Cap. IV – O Final

O tempo passava e a saudade era imensa!
A dor da distancia e da indiferença dilacerava-lhe o peito de tal forma que sua alma sangrava mortalmente.
Os dias eram difíceis, o mundo estava triste, havia perdido todo o brilho, toda a cor. E como se não bastasse, a morte ceifara a vida de dois entes queridos os quais ela tanto amava. Era inverno em seu coração, um inverno frio, cortante, sombrio.
Mas o tempo passou, e com ele um novo ano se levantou e com ele seu aniversário, data em que o conheceu que sentiu pela primeira vez o amor florescendo em seu peito e perfumando-lhe a alma.
Resolveu então mandar-lhe um telegrama, afinal, passaram-se duas primaveras desde o baile em que se conheceram.
Qual não foi sua surpresa a resposta foi imediata. Não demorou e o pombo-correio chegara com a seguinte mensagem: “Ainda não te esqueci.”. Seu coração aqueceu-se novamente, de forma que a muito não sentia e um sorriso iluminou sua face e viu diante dos seus olhos a esperança renascer.
Os meses se passaram e ela percebeu que na verdade nada havia mudado, tudo voltara a ser como antes. Inconformada mergulhou em uma profunda angustia que transbordava em seu coração.
O gosto amargo da saudade e do arrependimento inundava-lhe a boca.
Os rapazes de seu reino, por mais interessantes e atraentes que fossem não despertavam-lhe o interesse. Estava presa, seus pensamentos, corpo e alma eram dele.
Como se não bastasse, as coisas em seu reino iam de mal a pior. Tudo estava confuso, ela não sabia o que fazer em quem confiar. A traição e a mentira rondavam seu castelo como um urubu esperando que sua presa morra para devorar suas vísceras.
Por muitas vezes desejou que a morte viesse lhe dar o beijo fatal, mas a morte não vinha.
Certa tarde resolveu visitar uma velha feiticeira que vivia em seu reino. Era uma mulher poderosa, conseguia ver o presente passado e futuro, criava poções encantadas e desfazia feitiços. Mas não era uma bruxa má, como essas dos contos de fadas.
A feiticeira viu toda sua vida de forma tão cristalina como as águas do mar, deu-lhe conselhos valiosos e confirmou o que seu coração sabia todo o tempo: precisava esquecê-lo e seguir com sua vida.
De fato, ela sabia, sempre soube que este seria um conto com começo meio e fim. Ela sabia que não seriam felizes para sempre.
Ela sabia que a muito ele já não a amava, mas também tinha certeza de que jamais iria esquecê-la, assim como ele viverá pra sempre em sua lembrança.
Depois deste dia, como um encantamento toda angustia que sentia passou, e a névoa que cobria sua alma foi se esvaindo aos poucos até desaparecer completamente.
Finalmente conseguia ver o sol e sentir o perfume da vida novamente. Estava livre, seu coração estava leve.
E hoje lembrando-se dele, não tem arrependimento, mágoa ou culpa, pois guarda em si uma das histórias mais lindas que viveu e tem a certeza que o que tinha de ser se deu.
Porque era ela, porque era ele.

FIM



Andréia M.M.Lopes

domingo, 17 de abril de 2011

Onde queres

Música de Caetano Veloso interpretada lindamente por Maria Bethãnia
Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

terça-feira, 15 de março de 2011

...



    "Então,minha querida Amélie você não tem ossos de vidro.Pode suportar os baques da vida.Se deixar passar essa chance então,
com o tempo seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto o meu esqueleto. Então, vá em frente,pelo amor de Deus."

"São tempos difíceis para os sonhadores"

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Primavera entre os dentes







Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste


Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera


















Desenho feito no dia 11/02 com lápis HB e 6B












a

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Já desfeita em lágrimas"

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu"
"Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá..."
Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.
Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.
Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.
E quando escutar um samba-canção.
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só".
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser."

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Roda Viva (Chico Buarque)

Descreve o que sinto neste momento...
"Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá..."
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Blues da Piedade

Cansada de tanta hipocrisia!
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Suburbano Coração -Chico Buarque

"A última visita
Quanto tempo faz"



É...faz tempo


Quem vem lá
Que horas são
Isso não são horas, que horas são
É você, é o ladrão
Isso não são horas, que horas são
Quem vem lá
Blim blem blão
Isso não são horas, que horas são
A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração
Quando aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração
O amor já vai embora
Ou perde a condução
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração