segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vinícius de Moraes; Noel Rosa e Chico Buarque

Sempre gostei muito de desenhar ( o que não significa que eu saiba rs) ,mas ando parada a algum tempo... Mas resolvi a voltar a praticar ^^ Abaixo, algumas personalidades que admiro muito que tentei fazer no dia 27/11/10.
*Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior e conseguir ler os trechos musicais =)





sábado, 6 de novembro de 2010

Ode a um Rouxinol - John KEATS

Poema composto por Keats em 1819, quando tinha 23 anos, ou seja, dois anos e pouco antes de sua morte.. A
tradução apresentada aqui foi realizada por Augusto de Campos.

I
Meu peito dói; um sono insano sobre mim
Pesa, como se eu me tivesse intoxicado
De ópio ou veneno que eu sorvesse até o fim,
Há um só minuto, e após no Letes me abismado:
Não é porque eu aspire ao dom de tua sorte,
É do excesso de ser que aspiro em tua paz –
Quando, Dríade leve-alada em meio à flora,
Do harmonioso recorte
Das verdes árvores e sombras estivais,
Lanças ao ar a tua dádiva sonora.
II
Ah! um gole de vinho refrescado longamente
Na solidão do solo muito além do chão,
Sabendo a flor, a seiva verde e a relva quente,
Dança e Provença e sol queimando na canção!
Ah! uma taça de luz do Sul, plena e solar,
Da fonte de Hipocrene enrubescida e pura,
Com bolhas de rubis à beira rebordada
Nos lábios a brilhar,
Para eu saciar a sede até chegar ao nada
E contigo fugir para a floresta escura.
III
Fugir e dissolver-me, enfim, para esquecer
O que das folhas não aprenderás jamais:
A febre, o desengano e a pena de viver
Aqui, onde os mortais lamentam os mortais;
Onde o tremor move os cabelos já sem cor
E o jovem pálido e espectral se vê finar,
Onde pensar é já uma antevisão sombria
Da olhipesada dor,
Onde o Belo não pode erguer a luz do olhar
E o Amor estremecer por ele mais que um dia.
IV
Adeus! Adeus! Eu sigo em breve a tua via,
Não em carro de Baco e guarda de leopardos,
Antes, nas asas invisíveis da Poesia,
Vencendo a hesitação da mente e os seus retardos;
Já estou contigo! suave é a noite linda,
Logo a Rainha-Lua sobe ao trono e luz
Com a legião de suas Fadas estelares,
Mas aqui não há luz,
Salvo a que o céu por entre as brisas brinda
Em meio à sombra verde e ao musgo dos lugares.
V
Não posso ver as flores a meus pés se abrindo,
Nem o suave olor que desce das ramagens,
Mas no escuro odoroso eu sinto defluindo
Cada aroma que incensa as árvores selvagens,
A impregnar a grama e o bosque verde-gaio,
O alvo espinheiro e a madressilva dos pastores,
Violetas a viver sua breve estação;
E a princesa de maio,
A rosa-almíscar orvalhada de licores
Ao múrmuro zumbir das moscas do verão.
VI
Às escuras escuto; em mais de um dia adverso
Me enamorei, de meio-amor, da Morte calma,
Pedi-lhe docemente em meditado verso
Que dissolvesse no ar meu corpo e minha alma.
Agora, mais que nunca, é válido morrer,
Cessar, à meia-noite, sem nenhum ruído,
Enquanto exalas pelo ar tua alma plena
No êxtase do ser!
Teu som, enfim, se apagaria em meu ouvido
Para o teu réquiem transmudado em relva amena.
VII
Tu não nasceste para a morte, ave imortal!
Não te pisaram pés de ávidas gerações;
A voz que ouço cantar neste momento é igual
À que outrora encantou príncipes e aldeões:
Talvez a mesma voz com que foi consolado
O coração de Rute, quando, em meio ao pranto,
Ela colhia em terra alheia o alheio trigo;
Quem sabe o mesmo canto
Que abriu janelas encantandas ao perigo
Dos mares maus, em longes solos, desolado.
VIII
Desolado! a palavra soa como um dobre,
Tangendo-me de ti de volta à solidão!
Adeus! A fantasia é véu que não encobre
Tanto como se diz, duende da ilusão.
Adeus! Adeus! Teu salmo agora tristemente
Vai-se perder no campo, e além, no rio silente,
Nas faldas da montanha, até ser sepultado
Sob o vale deserto:
Foi só uma visão ou um sonho acordado?
A música se foi – durmo ou estou desperto?
Tradução: Augusto de Campos

(Vialinguagem. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 142-149






terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dama da noite

Meu nome é Clarice,Cecília,Tereza,Maria
Sou quem você quiser que eu seja, ou mesmo
Sou quem você sempre quis ser
Sou quem você sempre quis ter.
Não sou de ninguém
Não sou ninguém
Vago por todas as esquinas desta vida,
Pinto minhas unhas de vermelho, da mesma cor do batom
Meus cabelos se confundem com a cor da noite
Meu perfume assemelha-se a brisa
mas por dentro sou ventania
Pego uma taça de vinho, acendo um cigarro
escrevo um poema, ouço um samba canção
a  madrugada é minha companheira
Deixo que falem de mim,
pobre dessa gente que vive maldizendo-me
Pessoas vazias de sonho e sangue
Esta é minha vida,
e eu,
mulher
dona e escritora de minha história
a escrevo como bem entendo
todos os dias
nos bares da boémia.

Andréia Martins.M.Lopes

terça-feira, 12 de outubro de 2010

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS =D

Na foto: Minha cachorrinha Ascar,gatinho Mingau, eu (+ -7 anos) e Kiko hahaha amava tanto meus bichinhos  ^^

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Primavera nos Dentes


Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera




Rondo do CapitãoSecos & Molhados (Composição: João Ricardo/João Apolinário)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Parabéns Bia ^^

Hoje quero dedicar esta postagem para minha prima querida Bianca que hoje completa 28 anos!
Minha prima, irmã,mãe, amiga, faz parte da minha vida, deixando-a mais leve e colorida!
Sempre com um sorriso no rosto, procura ajudar a todos que estão a sua volta, é linda, sensível, meiga, corajosa, determinada, tudo o que conquistou até hoje foi pelo seu esforço e persistência, é um exemplo pra mim e sempre será.
Quando criança sempre dizia :"Quando eu crescer quero ser igual a Bia" ,mas isto é impossível, pois você Bia, é única!
Agradeço a Deus por ter colocado você em minha vida,e principalmente por ter nos reaproximado novamente ^^ Foi a melhor coisa que me aconteceu, de verdade!
Você literalmente salvou minha vida, me ensinou tudo que sei,me ensinou a ter forças, a nunca desistir, a lutar por meus objetivos,a "presta atenção Tamtam" hahaha é uma frase que levarei sempre comigo rs
O fato é que você tem um espaço especial em meu coração, e pra sempre!
Eu não colocaria minha mão no fogo por você, eu entraria no fogo, pois sei que posso sempre confiar em você. Saiba que pode sempre contar comigo, para qualquer coisa!
Te Amo muito prima, você é muito importante pra mim, e mesmo que algum dia não estivermos lado a lado, nossos corações estarão sempre ligados por um laço de amor e amizade que nunca será rompido!
Parabéns, paz, saúde,felicidades,dinheiro, muitas tatoos e muitos anos de vida!
Que venha o doutorado =)

Beijos

 olha o Fillipe haha

 Muzik 2008, festa anos 60

 abril 2010

 Bia♥Leo e eu No Cultural


Você,você
Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Para quem você tem olhos verdes
E com as manhãs remoça?
E à noite, para quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga, que horas, me diga
Que horas você volta?



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mestre

Mestre, meu mestre querido!  

Coração do meu corpo intelectual e inteiro!  
Vida da origem da minha inspiração!  

Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? 


Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,      
Alma abstrata e visual até aos ossos,      
Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,     
Refúgio das saudades de todos os deuses antigos,     
Espírito humano da terra materna,     
Flor acima do dilúvio da inteligência subjetiva... 
Mestre, meu mestre!    
  
Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos,     
Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser,    
Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos,    
Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim! 
Meu mestre e meu guia!      

A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,  
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,    
Natural como um dia mostrando tudo,     
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.  


Meu coração não aprendeu nada.     
Meu coração não é nada,      
Meu coração está perdido.   
Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.
   
Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!   
Depois tudo é cansaço neste mundo subjetivado,    
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,   
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,    
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente.    

 Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao relento   
 Pela indiferença de toda a vila.     
 Depois, tenho sido como as ervas arrancadas,    
 Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido.  
 Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça,    
 E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem ninguém.  
 Depois, mas por que é que ensinaste a clareza da vista,   
 Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara?      

Por que é que me chamaste para o alto dos montes     
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?   
Por que é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela    
Como quem está carregado de ouro num deserto,    
Ou canta com voz divina entre ruínas?   

   Por que é que me acordaste para a sensação e a nova alma, 
   Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha? 
   Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele   
   Poeta decadente, estupidamente pretensioso,     
  Que poderia ao menos vir a agradar,     
  E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver.    
  Para que me tornaste eu?  

Deixasses-me ser humano! 
Feliz o homem marçano    
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada,     
Que tem a sua vida usual,    
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio,    
Que dorme sono,      
Que come comida,     
Que bebe bebida, e por isso tem alegria. 
 A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação.    
 Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo.   
  Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.

(Álvaro de Campos)


sábado, 2 de outubro de 2010

Fingi na hora ri

Sentia uma profunda tristeza, sentimentos destrutivos vagavam em sua mente.
Seu coração pulsava lento, sem força...
Ondas de amor e ódio corriam em suas veias
seu peito estava apertado
agonia,mágoa
Nesse instante um amigo a encontra, cumprimenta, pergunta se ela esta bem.
Ela olha em seus olhos, engole sem mastigar seus sentimentos sorri e diz: "sim, estou bem!"
E ambos seguem seus caminhos...


Andréia Martins.M.Lopes

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Simpatia

Eu quero quer sempre aquilo com quem eu simpatizo,
e eu torno-me sempre, mais cedo ou mais tarde aquilo com quem eu simpatizo.
E eu simpatizo com tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
e são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores tanto,
porque ser inferior é diferente de ser superior,
e isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Eu simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter
com outros eu simpatizo pela falta dessas mesmas qualidades
e com outros ainda eu simpatizo por simpatizar com eles
porque eu sou rei, absoluto na minha simpatia
basta que ela exista para que eu tenha razão de ser!
Fernando Pessoa

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lamento da Noiva do soldado -Cecília Meireles

Como posso ficar nesta casa perdida,
neste mundo da noite
sem ti?
Ontem falava a tua boca à minha boca…
E agora que farei,
sem saber mais de ti?
Pensavam que eu vivesse por meu corpo e minha alma!
Todos os olhos são de cegos… 
Eu vivia
unicamente de ti!
Teus olhos, que me viram, como podem ser fechados?
Aonde foste, que não me chamas, nao me pedes,
como serei agora, sem ti?
Cai neve nos teus pés, no teu peito, no teu
coração… Longe e solitário… Neve, neve…
E eu fervo em lágrimas, aqui.